excertos das Guerras

«Back then, before the Great War, when the incidents reported on these pages took place, it was not yet a matter of indiference whether a person lived or died. If a life was snuffed out from the host of the living, another life did not instantly replace it and make people forget the deceased. Instead, a gap remained where he had been, and both the near and distant witnesses of his demise fell silent whenever they saw this gap. If a fire devoured a house in a row of houses in a street, the charred site remained empty for a long time. For the bricklayers worked slowly and leisurly, and when the closest neighbors as well as casual pasersby looked at the empty lot, they remembered the shape and the walls of the vanished house. That was how thing were back then. Anything that grew took its time growing, and anything that perished took a long time to be forgotten. But everything that had once existed left its traces, and people lived on memories just as they now live on the ability to forget quickly and emphatically.»

Joseph Roth, The Radetzky March, 1932.

«[Da] mãe de Carlitos a câmara só revela a mão que o penteia (o conforma) para ir para a escola e o castiga e lhe aponta «o bom caminho», a voz que o repreende e o ameaça. Nunca o seu rosto. A identidade maternal é reduzida, simbolicamente, a essa mão e a essa voz. Do mesmo modo o polícia, como o professor, como os outros adultos que, ocasionalmente, aqui e ali, intervêm na acção, surgem também como sinais e símbolos desse mundo exterior, repressivo e ordenador da essencial desordem da infância, isto é do homem natural. Nem uns nem outros, contudo, são mostrados com hostilidade, e antes sempre com imensa e tolerante compreensão, como se, afinal, todos cumprissem apenas, às vezes com indisfarçável tédio, o seu indiferente papel social de adulto, guardas de uma ordem de que igualmente fossem prisioneiros.»

Manuel António Pina, Aniki Bóbó, 2012 (sobre o filme de 1942).

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3 respostas a excertos das Guerras

  1. pedro a. leitão diz:

    Um agradecimento ao Belmiro por me ter oferecido o segundo livro mencionado.

  2. pedro a. leitão diz:

    Isto são relatos das Guerras; cascar no Sócrates trata-se de evitar uma guerra. O teu post e outros do género deveriam estar na ponta da língua de toda a gente deste país. Ainda bem que o voltaste a publicar, entretanto.

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