Não perdemos apenas Deus, perdemos também o Diabo

A crónica do VPV de hoje, Sábado, recordou-me a grande tragédia contemporânea, que Musil definiu claramente como: «O mundo não perdeu apenas Deus, perdeu também o Diabo.» –muito ironicamente, inscrita na página 666 da edição da D. Quixote d’ O homem sem qualidades na tradução de João Barrento.
Ora, encontrar culpados é um dos mais básicos processos de encontrar consolo e, como se sabe, a nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazerSem culpados, resta-nos o delírio da razão (cenas tipo o imperativo kantiano) ou a ciência, cujos resultados nos parecem sempre obscenamente aquém das esperanças religiosas que nela colocámos, com a agravante de a ciência trazer em anexo um grande problema: quando bem feita, é um messy affair, que exige uma dedicação indecente, e, ainda por cima, é por definição parcial, extremamente falível, vergonhosamente discutível.
Voltamos pois ao consolo. E o que é o consolo benigno? Literatura, cinema e… praia. E, por falar nisso, está na hora de lá voltar.

544127_604723659541086_42088816_nPóvoa de Varzim. 
(clicar na imagem, sff)

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