Aprender com os alemães

O presidente achou melhor ir para o Brasil passear do que estar concentrado no jogo com o Estoril… Quando se está a lutar por um título tem de se estar concentrado, desde o presidente aos jogadores. Este presidente achou que era melhor ir para o Brasil do que assistir ao jogo. Agora, na última semana, foi para a feira das vaidades, em Londres, em vez de preparar a final da Taça.
José Veiga

E este problema — o verdadeiro problema do Benfica — não se circunscreve ao presidente. A semana passada o Domingos Soares Oliveira (o lagarto desenvergonhado que nos trata das contas) explicou que esta foi uma época de sucesso porque as receitas aumentaram. A lógica cínica desta gente é: as receitas aumentarem, logo está tudo bem. O Matic vai ser vendido por 40 milhões; mesmo que venham dois mancos (sim, são precisos dois) para o lugar dele, está tudo bem. Depois a culpa é do Jesus.
O Jesus não sabe comunicar; ainda ontem afirmou que na segunda parte a equipa entrou pouca aguerrida, os jogadores pensaram que 1-0 chegava. Ah!, a equipa; este modo impessoal de falar dá vómitos quando sabemos que o principal responsável pela atitude da equipa é precisamente ele, portanto não foi a equipa que, fomos nós, caralho, e foste tu o responsável por nós.
Não sabe comunicar e tem os seus defeitos (acreditar em flops como o Luisinho — um gajo de 27 anos tão fraco que deu origem a uma alucinação colectiva (99% das pessoas julga que ele é um jovem, com a famosa margem de progressão) — não é o maior deles; é essa crença que o faz transformar o Enzo num grande médio centro, etc) , que me dispenso de descrever, mas é um excelente treinador. Com uma estrutura (presidente e director desportivo) exigente, sabedora (enquanto não comprar laterais e centrais e médios centros, não se fala em avançados) e focada por detrás, é mais do que suficiente para ganhar uma série de campeonatos nacionais. Arrisco-me a dizer que o Vítor Pereira ainda tem mais defeitos, é pior treinador, mas a estrutura exerce uma pressão sobre ele e sobre os jogadores que os obriga a morrer até ao fim pela vitória, isto é, a não respiraram (não se desconcentrarem, não relaxarem, não sentirem que isto chega) até o conseguirem — e isso reflecte-se naturalmente no discurso.
O ano passado o Bayern perdeu o campeonato e a final da taça da Alemanha para o Dortmund, em condições pelo menos tão dramáticas como o Benfica perdeu este ano (o Robben falhou um pénalti na final da taça, salvo erro). Perdeu a final da Champions para, imaginem, o Chelsea, e na sua própria casa. O que fez? Três contratações para sítios chave e foco foco foco na vitória. Resultado: depois de um ano exactamente igual ao nosso, ganhou tudo.
Aprender é viver.

nota: e o Cardozo que vá para o inferno, de onde nunca devia ter saído.

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2 respostas a Aprender com os alemães

  1. Ana Rocha diz:

    Dói-me na alma pensar que vamos ter de esperar mais um ano por um títulozinho qualquer… Estavas tu tão confiante na “tripleta”!… Snif snif

    Eu a semana passada ainda estava a favor do Jesus, mas depois da atitude da equipa de ontem tenho dificuldade em manter a minha convicção… Marcaram um golo de sorte, e cruzaram os braços à espera do final do jogo. Aos 30 minutos…

  2. pmramires diz:

    Olá.
    Não estou a ver quem és, mas é verdade, depois de «filisteus», um velho campeão, «tripleta» foi a palavra que mais disse este ano. O sonho comanda a vida. Não pensava noutra coisa.
    Quanto à atitude de ontem, esse é o principal defeito do Jorge Jesus (um psicólogo talvez o possa ajudar): a actuação no banco de suplentes. Mas o problema não é a indiferença. Este ano, pelo menos, foi o oposto. Ele não pode, no banco de suplentes, reagir como um adepto: contra o Estoril, depois do 0-1, sempre com as mãos na cabeça, visivelmente desesperado, com uma postura estupidamente nervosa, incapaz de actuar sobre o desenrolar do jogo, ou ainda capaz de o piorar – parecia eu no café em que vi o jogo.
    Defendi o Jesus depois do jogo com o fcp porque tudo o que está bem no Benfica é fundamentalmente derivado do Jorge Jesus (algumas coisas que estão mal também, claro, mas poucas comparadas com as boas), e não vejo razões para mudar de opinião.
    O Benfica, deus nos livre, não é nem o LFVieira, nem o DSOliveira, nem o Jorge Jesus. Mas com o LFVieira, o DSOliveira e sem o Jorge Jesus, com esta equipa, sem Javi e Witsel, sem laterais (gastamos 1 milhão em laterais, o fcp gastou 30), tínhamos ficado mais perto do Paços do que do fcp (que não perdeu um jogo), tenho quase a certeza disto.
    O nosso problema é a mentalidade e competência da estrutura. O LFV afastou o Álvaro Magalhães (fazia parte da equipa do Trapattoni), afastou o Diamantino das camadas jovens, reduziu o Rui Costa ao gabinete de prospecção, dispensa ter um director desportivo (um gajo que perceba de futebol acima do treinador), etc. Rodeou de secundários “profissionais do futebol” a equipa técnica porque apenas admite ser secundado por quem nunca o ponha em causa, como o pobre Eusébio.
    O que concluo deste ano é que a mentalidade ganhadora que nos levou às finais foi o supremo ego e excelente competência do Jorge Jesus, porque mística a estrutura não tem nenhuma. É triste, mas temo ser a verdade.
    Infelizmente, não chegou.

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