O regime no divã

“O meu primeiro trabalho foi aos 12 anos no café do meu tio, trabalhava no verão, e aí aprendi muita coisa sobre pessoas, sobre trabalhar com pessoas”. Um emprego que acabou por lhe ensinar uma lição de vida importante para os dias que correm: “a trabalhar naquele café aprendi uma lição extraordinária, é muito fácil explicar. As garrafas de Água das Pedras e da Água Carvalhelhos são iguais. Há uma estranha fixação e toda a gente pede sempre Água das Pedras, então o meu tio ensinou-me que tu agarras na garrafa, tapas o rótulo com a mão e levas e serves no copo e vens-te embora, pronto, passa e funciona. Só que há um dia em que recordo-me de ter sido apanhado e então passas do puto rebelde, que quer fazer, que quer trabalhar, que quer pôr as coisas a mexer, para aquela pessoa que porque pôde enganou. É muito difícil conquistar a confiança das pessoas mas é muito fácil perdê-la”.»

Miguel Gonçalves, criativo, idealista e revolucionário lançado por Relvas (há aqui vício de circularidade), dando voz à sintomática disfuncionalidade cognitiva e adaptativa do regime. Para mais, enquanto protagonista rebel without a cause de tão luminosa parábola.

(Miguel Gonçalves há de ser chamado outra vez a texto – e outra e outra… É tudo demasiado delicioso para conseguir parar agora.)

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