It’s been so long since I’ve seen her around here
I can’t remember if she’s real
Summer days spent walking around
And up all night yeah
Trying to remember if she’s real

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It’s been so long since I’ve seen her around here
I can’t remember if she’s real
Summer days spent walking around
And up all night yeah
Trying to remember if she’s real
A minha avó ainda chama Entrudo ao Carnaval. “O Entrudo”- diz ela – “sempre achei grande piada ao Entrudo”. Quase que me fez chorar.
Não lhe disse, mas o Entrudo, para mim, que chegou a ser uma boa e regular desculpa para enfiar uma garrafa de vodka pela goela abaixo, perdeu todo o significado, há muito tempo atrás, nem me lembro quando.
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Outro dia, enquanto passeava na rua com um amigo, ali mesmo ao pé da praia, cumprimentei uma rapariga que, com um esgar estranho, de como quem foi surpreendida, devolveu-me o cumprimento. Logo o seguir, o meu amigo comenta: Pensei que vocês estavam chateados. Ora, isto fez-me recuar uns três ou quatro anos, engolfar-me numa história bizarra e admitir que, pois, isso tinha acontecido e se calhar devíamos estar chateados, embora me tivesse esquecido não apenas da história em si, mas também do facto de dessa história resultar que estávamos chateados.
Hoje de manhã, ao sair de um café, decidi ser simpático e segurei a porta para alguém entrar. Ora, esse alguém – juro que só reparei depois de já estar a segurar a porta – era uma rapariga que tinha alguma legitimidade para não me poder ver à frente nos próximos 50 anos, devido a um episódio de há uns 2 anos atrás no qual eu passei por responsável (que os Deus me caiam em cima se eu tive alguma culpa naquilo). E sabem o que ela fez? Disse-me obrigado com o mais bonito sorriso do mundo. A sério, uma coisa capaz de deixar qualquer rapaz bem-disposto. Era impossível ser cinismo. Já nem me lembro se disse Olá ou se apenas devolvi um careta que pretendia ser um sorriso, de tão pasmado que fiquei.
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Isto para dizer que, tanto quanto me lembre, não estou chateado com ninguém. E, se não me lembro, é porque não estou. É claro que também já fiquei chateado por uma coisa ou outra, mas nunca por mais de quinze dias, acho eu. Se depois nunca mais disse nada, para pôr as coisas em ordem, como diz o meu tio, é porque julgo que a outra pessoa provavelmente vai interpretar mal as minhas ulteriores justificações se elas forem demasiadas próximas do acontecimento, e se afastadas do acontecimento, eu tendo a me esquecer delas e do acontecimento.
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Com algum esforço, tenho-me conseguido reestabelecer da notícia de que o Kaurismäki vive em Viana do Castelo – isto é, a menos de 50km de minha casa – há mais de 20 anos, conquanto ainda não tenha sido desta que consegui ler mais de uma página do ípsilon sem me aborrecer miseravelmente.
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Quanto ao resto, está tudo bem.
Os dias passa-os entre esplanadas solarengas, ao pé da praia, e o sofá, com o O homem sem qualidades e uns filmes ao calha (nada de especial). Se ninguém me chatear com nada actual - as estreias imperdíveis, os concertos únicos, as viagens invariavelmente baratas, o bar da moda no Porto, os festivais fantásticos, e esse turbilhão todo - nunca me aborreço.
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Do outro lado da cidade
Entro no café e dirijo-me ao balcão: chamo-a com sofreguidão.
Não me percebe e responde: “O que deseja então?”
Olho-a com cuidado e apercebo-me:
tem os olhos estragados
carcomidos por toupeiras e
picados por enxame demolidor,
cercados por pele socalcada
e pestanas sem humor.
“Os seus olhos, quem os assaltou da última vez?”
Virou a cara e rasgou sorriso felino
Balas disparadas sobre humilhante destino.
Com intactos reflexos à primeira se esquivou
e absorvendo as outras ripostou:
“Do outro lado da cidade vivem
os que atacados pelo mundo
ainda assim sorriem.”
Olho lá para fora e respondo:
“Ao outro lado da cidade os vou procurar.”
[Talvez o único poema que goste, dos inscritos num masso de folhas que o me pai me trouxe e onde estava escrito, com a delgada letra da minha mãe: Este tipo de coisas são para guardar, ou podem ir para o lixo? Foram escritos há alguns anos atrás, mas pelo menos este, não vai.]
Não me lembro de uma única coisa vagamente útil que tenha feito, mas precisamente por isso gostei muito da última semana. Se pretenderem começar o fim-de-semana com uma experiência sensual, é favor ir ao site da NBA e ver duas ou três vezes o resumo dos Rockets – Timberwolves, do minuto 2:13 ao 2:16. Não precisam de agradecer.
Bom fim-de-semana.
[na foto, o grande Jacques Prévert]
Sabem o que acontece quando os niggas se ausentam e o comando tem de ser entregue a um rapaz de Harvard e a outro de Stanford? Em regra, segue-se um desastre; nos Knicks, a glória.

O Nuno Oliveira pediu a minha opinião sobre o caso Contador, o que só lhe fica bem. Eu mesmo costumo ouvir a minha opinião quando ambiciono ficar esclarecido sobre qualquer assunto.
A Agência Mundial Antidopagem, a ASAE e o Dr. Francisco George lutam fraternamente pela purificação do Homem: o último obscuramente planeia enjaular no pan-óptico todo o ser humano que tenha a infeliz ideia de fumar um cigarro; a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica pugna pela nossa higiene com um fervor que envergonharia a minha mãe depois de uma zelosa limpadela do meu quarto; a Agência Mundial Antidopagem tem sonhos húmidos com o dia em o último pacato cidadão que saía à estrada para manter vivo o que ainda sobra do derradeiro desporto verdadeiramente popular do século XX, o ciclismo, decida ficar em casa.
Como bem explicou o grande Eddy Merckx, à luz das leis anti-doping actuais, imagens como a de cima são absolutamente impossíveis de repetir, pois lá terão encontrado, os novos heróis contemporâneos, uma gotinha de sangue com residuais e irrelevantes valores de uma substância qualquer que, azar do caralho, ia fazer com que o ciclista que ganhou limpo no ano anterior e que limpo vai ganhar para o ano, também ganhasse limpo este ano.
O que me chateia no meio disto tudo, mais ainda do que a humilhação dos desgraçados que são estropiados por esta furiosa campanha, é que esta gente actua com uma sobranceria só ao alcance dos que julgam estar a lutar pela causa mais virtuosa, quando na verdade são a última geração de cretinos que sonha com nos impor o que pensa ser melhor para nós.
Não imaginam eles que com estas medidas lá teremos de ir para a praia às 14h, expostos aos temíveis perigos do sol e do mar, senão nem vos passa pela cabeça o que seriam capazes de fazer. Certamente fechariam as praias, se antes não descobrissem como encerrar o sol!
Um grande abraço para o Pedro Pinheiro, que deve estar tão triste como eu com esta merda toda.
Aqui podemos ver a “continuação” do grande debate entre Keynes e Hayek. Anos depois da morte de Keynes Hayek disse que para ter a ultima palavra, requeria apenas viver mais tempo do que o seu oponente. Parece-me que ele estava errado. Para relembrar o primeiro round. Já agora porque não um jantarzinho?